Tag: viajem astral

Deusas, flores, curandeiras e afins….

“Quero de dessa vez você vá para um jardim com muitas flores, e quero que você converse com elas, diga o que quiser, peça o que quiser e agradeça por tudo. E quero que você perceba as quão divinas e sagradas elas são, porque Deus está nelas e está dentro de você também.”
Foi o que a sua curandeira disse antes de ela dormir. Foi estranho perceber que ela começou exatamente de onde tinha parado, no mesmo lugar, na mesma floresta delicada com um pequeno lago de águas espelhadas e com árvores que até então ela não conhecia. Sentada embaixo de uma árvore que mais parecia uma cachoeira verde com suas compridas folhas que iam dos galhos até o chão ela meditou e desejou achar um jardim por ali, para a sua surpresa daquela mesma árvore chorosa brotou lindas flores amarelas e ao seu redor, lindas rosas azuis brotaram em uma quantidade absurda.
Ela ficou feliz, pois sempre quis ver rosas azuis apesar de uma pequena parte racional de sua mente lhe dizer que elas não existiam. Resolveu levantar e percebeu que vestia um delicado vestido de véu e por baixo nada mais, as flores saíram do chão e começaram a dançar a sua volta. Uma imensa alegria tomou conta de seu coração e ela teve vontade de correr e voar.
Correu como nunca e quando passou por um campo de Girassóis, as flores acompanharam o seu caminho assim como fazem com o sol.
Finalmente, ela chegou aonde queria, um enorme campo de rosas vermelhas.
Ela sentou em frente a este campo e observou. Olhou como eram perfeitas, selvagens e belas. Começou a agradecer, a dizer o quanto era grata por ter chegado até ali, por ter uma vida boa e que apesar de algumas tristezas não tinha muito do que reclamar.
O seu único desejo era ter a mesma delicadeza, o mesmo mistério e fascínio que elas exerciam, seu desejo era equilibrar a sua energia feminina, era fortalecer sua conexão com a Deusa, era por isso que ela estava lá, era por isso que ela estudava a arte oriental mais antiga que reverenciava a Deusa e o sagrado feminino, ela queria ser mulher, uma fêmea sem medo de sua condição. Em meio a esse pensamento, ela percebeu que parte do campo se transformou numa densa fumaça vermelha e dela se transformou numa mulher. Ela não sabia dizer se era a Deusa, uma fada ou uma rainha. A única coisa que ela sabia dizer era que estava diante de um Ser Sagrado e que apesar disso ela não se ajoelhou, ela apenas inclinou a cabeça em respeita àquela presença.
A mulher, era a mais perfeita harmonia da beleza, simplicidade, feminilidade, tinha um ar poderoso e terrível. E apesar disso a senhora das rosas não sorriu para a visitante, seu olhar era severo.
Ela se perguntou o porquê deste olhar, se perguntou o que tinha feito de errado e como se tivesse lido seus pensamentos a Deusa lhe disse “Está na hora se ser o que você veio pra ser! Você aceita?”
Uma pergunta simples que despertou todos os medos que estavam enterrados no seu coração e foi só quando ela os deixou ir embora, só quando ela aceitou ser o que deveria ser sem medos, foi que a Deusa se aproximou dela. Depositou uma pétala de rosa em sua boca que se dissolveu como o mel em seu paladar, e lhe sorriu.
O sorriso da grande senhora quase fez parar o seu coração e ela foi preenchida com tamanha energia que podia sentir todas as células do seu corpo vibrando. Depois de sentir toda essa energia ela percebeu que aquela Deusa, aquela mulher perfeita em sua beleza harmonia trajada num belo vestido vermelho era ela mesma. A Deusa tinha o seu rosto, a deusa era ela. Como não tinha percebido isso antes? Justas e de mãos dadas, elas correram pelos campos de Girassóis brincando, sorrindo e amando.
Quando ela acordou sua curandeira apenas lhe disse “Seus caminhos estão todos abertos!”.

Anúncios